Uma perversa e estratégica desvirtuação de uma atividade fim
- Silvio Demétrio
- 22 de ago. de 2023
- 4 min de leitura
“O horror, o horror!”
Hunter Thompson reverberando Joseph Conrad em “Coração nas Trevas”
Deletei esse texto das redes sociais para postá-lo aqui.Como diz o protagonista do filme O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla: “quando a gente não pode fazer nada a gente avacalha e se esculhamba”. Em momentos como o que venho atravessando nesse confuso ano de 2023 tenho de forma recorrente pensamentos auto-destrutivos – talvez porque a grana acaba bem antes de todos os boletos estarem pagos. E o embrulho na boca do estômago só passa um pouco quando penso em fazer alguma coisa para reverter o que quer que seja desse quadro desgraçado que é essa situação. 7 anos sem nenhum reajuste e estamos com as pernas quebradas por conta da captura do sindicato pela astúcia dos roedores que habitam o palácio do Iguaçu. Não que fosse diferente com os que o antecederam. O que acontece é que perdemos qualquer poder de fogo na articulação de nossas reivindicações porque inventaram uma forma de suborno branco, cheiroso e aceitável até aos olhos do nosso próprio sindicato. Nenhum jornalista no interior do Paranazi ganha 25 mil reais de salário, a não ser na UEL - na UEL tem assessor de imprensa que ganha isso por uma jornada de 5 horas de trabalho. Não acho injusto um colega de profissão ganhar isso, pelo contrário. “Ah, mas ele tem doutorado”. Caçarolas, 90% do corpo docente da UEL tem doutorado e trabalha tanto quanto ou muito mais. Mas acho ainda mais injusto que numa UNIVERSIDADE a sua atividade-fim seja desvirtuada estrategicamente para imobilizar os que a constroem todos os dias dentro das salas de aula. O trabalho de todos os servidores é importante para que tudo aconteça direitinho, mas nenhum aluno que passou pelo vestibular se inscreveu por conta dos funcionários. Sei que é duro falar assim, mas isso deve ser falado e exposto como uma fratura, porque é exatamente isso que essa divisão provocada propositalmente desde o desgoverno de Richa provocou, uma fratura exposta. Prefeitos e diretores dos campi das estaduais ganham mais do que os prefeitos das cidades onde as universidades estão instaladas ou chegam perto disso. Isso para não comparar o que ganham esses prefeitos dos campi em relação a cidades que tem uma população igual às comunidades das universidades. Vamos às raizes. A família de roedores vem da cidade de Jandaia do Sul - lá consta segundo dados públicos um total de 21mil habitantes. O atual prefeito de Jandaia é Lauro de Souza e ele ganha 17.000 reais por mês. Por que então a prefeita do capus da UEM ou o prefeito do campus da UEL ganham quase o dobro disso se eles administram realidades iguais, algo em torno de uma comunidade de 20 mil pessoas? O prefeito do campus da UEL ganha bem mais do que o prefeito de Londrina e isso é um fato. Basta consultar o portal da transparência do estado. E o governo aposta nisso porque assim pacifica as universidades porque compra os servidores. As reitorias aplaudem e entoam felizes a catilena dos planos de carreira que nunca virão. E por aí vai. É que injetando essa grana toda nos funcionários da administração das estaduais o governo nos quebra as pernas. Aqui na UEL o corpo docente conta com 1600 e poucos professores - o número de servidores é mais que o dobro disso. (só lembrando que os que se aposentam ou morrem não são substituídos por outros concursados – existem cursos cujo corpo docente efetivo é constituído de dois ou três efetivos e todos os demais são professores temporários). Nunca conseguiremos articular alguma greve com algum impacto numa realidade assim, porque sempre teremos nosso poder de fogo cortado ao meio. Os funcionários nunca vão parar e o sindicato que os representa sempre irá esvaziar qualquer reivindicação nossa. Não sei, mas estou com uma coceira danada de vazar isso para alguém publicar esses dados e deixar o pau torar, mas daí eu me lembro que as empresas de comunicação do estado ostensivamente endossam campanhas contra tudo e qualquer um que fale de algum parâmetro de ação política que não seja interesse do mercado e de seu apetite gigantesco em abocanhar os serviços públicos como garantias do estado à população como um todo. Do jeito que está é a morte. Desculpem o desespero. Lembrem-se do que aconteceu há pouco com a Copel e que logo acontecerá também com a Sanepar. Sinceramente, o Paraná não merece as universidades estaduais que tem e muito menos o corpo docente qualificado dessas instituições. Seus governantes e políticos desprezam os professores universitários com a mesma paixão que gostam de exibir quando é para cantar glórias com o que essas instituições conseguem em termos de projeção e publicidade – feito alcançado graças à atitude muitas vezes autodestrutiva de seus professores que tiram do próprio salário as custas da participação em eventos acadêmicos que divulgam o nome das cidades e do estado. Conforme o interesse, tanto o governador como a maioria dos políticos que apoiam o governo não economizam no combustível quando é para jogar a população do estado contra os professores. Muitos custeiam do próprio bolso suas publicações e divulgação de suas pesquisas em eventos e assim se enterram num desespero de dívidas, desmotivação e descrença – tudo aquilo que a educação não precisa e não merece. Acima de tudo nossos alunos não merecem isto.
Prefeitos das cidades
Marcelo Belinati Martins, prefeito de Londrina do PP ganha R$ 22.764,74
Ulisses de Jesus Maia Kotsifas – PSD – Maringá - 32.496,33
Celso Fernando Góes – CIDADANIA – Guarapuava 25.000,00
Leonaldo Paranhos da Silva – PSC – Cascavel – 31.557,52
Elizabeth Silveira Schmidt – PSD – Ponta Grossa 19.794,02
Rafael Greca – DEM – Curitiba - 33.507,30 – vice - 15.105,94~
O salário do governador Carlos Roberto Massa Jr é de R$ 33.763,00.
Pensão especial de Richa – 33.924,93 – portal da transparência do estado do Paraná
Diretores e prefeitos dos campi das estaduais
UEL - Luiz Carlos Buzetti - 29.917,84
UEM - Doralice Ap. Favaro Soares 29.196,63
Unicentro – Christine Vargas Lima 23.185,95
Unioeste: Aníbal Mantovani Diniz 26.760,15
Uepg: Ítalo Sérgio Grande - 13.319,80

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