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Muito barulho leviano




Apenas uma vez eu vou escrever sobre você. Não mais do que isso porque seria demasiado desperdício de tempo e vontade. E isso é traição à vida. Você que eu não conheço vem até aqui e nos usa como fundo do seu enquadramento. Um palco para o seu desprezo daquilo que você nem sabe o que é. O seu oco. A nulidade que vos habita as entranhas corroídas pelo ressentimento. Você vem aqui e fala daquilo que não sabe. Mente com palavras e imagens sobre quem desconhece. Mente com as espinhas do rosto e cabelos despenteados. Mente com o ar que o circunda. Mente com a voz e a ausência que vos filma. Alguém por detrás da sua imagem-dejeto para redes sociais. Mente com imagens embaralhadas com a falta de contexto. Mente e não consegue esconder seu ressentimento cozido em fogo brando daqui até os infernos. Que vida desinteressante e magoada. Leve toda a sua horda filha da barbárie consigo – ambos merecem a boca de um vulcão como gesto de sacrifício e expiação da ignorância que vos assombra. Doença imaginária de uma hipocondria moral para a qual não há cura. Mórbida batalha de um luto falsificado. Medo bestial e lúgubre. Massa de bisonhos lobotomizados. Hemiplégicos por preguiça cognitiva. A falência histórica veste terno de domingo e tem um péssimo gosto para gravatas. Cafona cuja fala cacofônica trai o verde e o amarelo em cinza e sombra. Infeliz, sinta-se inflado com nossa indiferença e contente-se com essa migalha aqui pulverizada em palavras até o ponto da total insignificância de onde nunca deveria ter saído. Vai de retro. Não bloqueie nossa luz.

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