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E lá estava o blues

Saca aqueles momentos solitários em que seu grande amor foi embora, seu cabelo parece comprido demais ou curto de menos, ninguém entende você, acham você um grande canalha (mesmo tendo você a intenção dos anjos), e você está quebrando a cara em bares nada civilizados... Sabe aquela pessoa por quem você está completamente enlouquecida e deixa você plantada... Sabe aquele dia que os homens olham para você na padaria, mas você se sente uma estúpida, pois não consegue dizer “fica comigo” pro cara que é especial pra você... Ou o amigo de anos que não fala mais contigo... Suas belas roupas já não servem mais e as que servem estão puídas, seu filho se foi, sua mãe não vem mais ninar... Sabe quando você anda pelas ruas e vê a legião de zumbis que avança e você não consegue fazer nada... Sabe quando mandam (te) bater por você ser um professor... Pra todos esses momentos tem o blues: Nina, Sara Martin, Clara Smith, Robert Johnson, Celso Blues Boy... Quando o Mário Bortolotto me levou ao show do B.B. King, há bem mais de 20 anos, eu descobri o Blues, a militância negra, a raiz de tudo e minha solidão desde então sempre foi embalada por essa música que toca meu coração e eu me sinto viva.


foto: Yashiro Imazu


 
 
 

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