Da paixão obcecada de um certo roedor pelas privadas
- Silvio Demétrio
- 5 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
Fui fuçar na internet sobre os argumentos e exemplos do roedor do Palácio do Iguaçu em sua tentativa de entregar as escolas públicas do Paranazi aos seus parceiros da iniciativa privada. Coloco alguns links ao longo desse texto para que se possa conferir a informação quando for relevante). Roedor Junior fala que na Coreia do Sul é assim – a gestão das escolas públicas seria feita pela iniciativa privada. Até no Wikipedia dá pra ler que não é bem assim não. Muito pelo contrário. Como forma de garantir a equidade na formação de seus estudantes lá na Coreia existem escolas públicas, que são majoritárias, escolas privadas dependentes do governo (algo mais ou menos como o projeto do ministro Paulo Renato no qual o governo injeta dinheiro público nas privadas para aumentar a disponibilidade de vagas, principalmente no ensino superior) e existem também, minoritariamente (1% apenas), a rede de ensino privado notoriamente voltada para as elites econômicas do país. Estes são dados apresentados pelo relatório de uma pesquisa sobre financiamento do ensino em diferentes países do mundo que foi feita pelo D3e ( https://d3e.com.br/wp-content/uploads/2018/08/REL2_D3E_financiamento.pdf )Chamou-me a atenção um fato que está na página 20 mais ou menos depois da metade da primeira coluna do texto no qual existe o relato sobre a medida do governo coreano a partir dos anos 1970 que passou a assumir a responsabilidade pela gestão dessas escolas privadas dependentes de sua subvenção. Veja lá, é isso mesmo, na Coreia que o governador roedor cita de boca cheia como algo que legitima seu assalto às nossas escolas públicas o que acontece de fato é o exato contrário daquilo que ele propõe. Na Coreia é o governo que assume a gestão das escolas privadas como forma de garantir a equidade na formação dos alunos. Isso pra não dizer nada sobre a valorização dos professores e demais detalhes que desabonam qualquer relação que esse governo tente estabelecer entre a sua infame proposta e a realidade do ensino na Coreia. Se o governador não tem a mínima ideia do que está propondo imagina então os nossos deputados que votaram a favor dessa estultice. Cloara, Thiago Amaral e Cobra.
Fuçando um pouco mais podemos achar os dados que representam a realidade do ensino público no Paraná. São 2090 escolas estaduais. O governo experimentou sua estultice em 2 escolas na capital e baseado nesse “estrondoso sucesso” quer estender suas garras para mais 200 escolas distribuídas pelo estado agora nesse momento, o que representa 10% das escolas paranaenses caindo de mão beijada sobre o colo de quem trata a educação como mercadoria. Daí o secretário de educação do estado vem dizer que “os sindicalistas ideologizam o assunto”. Na melhor das hipóteses é desonestidade intelectual e, na pior, desconfio, é pura picaretagem. Arrota-se aquilo que não se sabe como se fosse certeza. Parece que até os cálculos foram apressados. Este pobre escriba fez em seu ábaco movido a energia solar uma conta simples. Se para cada uma das escolas com 800 alunos a prestadora de serviço ao estado vai receber 800 mil reais, isso dá um total de 160.000.000. Isso agora seria praticamente repassar todo o dinheiro que o MEC repassou para o Estado para os cofres da iniciativa privada ( https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2024/abril/mec-pagou-mais-de-r-152-milhoes-para-a-educacao-do-parana-em-2023#:~:text=MEC%20pagou%20mais%20de%20R,em%202023%20%E2%80%94%20Minist%C3%A9rio%20da%20Educa%C3%A7%C3%A3o ) .
Segundo dados que o próprio governo do estado apresentou em sua prestação de contas na ALEP no primeiro quadrimestre de 2024, existe um aporte de 1,6 bilhões para a educação que estão em caixa. A meta, portanto, é direcionar 10% desse dinheiro (160 milhões) para a empresa que vai fazer a gestão das escolas públicas no Paranazi. Por que não direcionar esse mesmo dinheiro para as próprias instituições de ensino? Uma vez que dinheiro em caixa existe. Por que não respeitar o compromisso com a data base de todo o funcionalismo da educação. Na Coreia o projeto de educação começa pela valorização dos quadros docentes. Por que a destruição das instituições de ensino de terceiro grau. As estaduais estão agonizando em função da política de cortes que se aplaca sobre elas há mais de três mandatos, desde Richa e seu infame legado do 29 de abril. Sinceramente, ao contrário do que o digníssimo secretário de educação afirma, quem ideologiza a questão é o próprio governo do estado. Sabe-se que os roedores tem predileção pelos esgotos, talvez isto explique essa paixão obcecada pelas privadas. Isso é patologicamente ideológico.
Números da educação pública no Paraná
NREs | 32 |
Municípios | 399 |
Escolas Estaduais | 2.090 |
Turmas da Rede Estadual | 57.548 |
Matrículas da Rede Estadual | 1.270.947 |

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