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A volta de Tony Garcia, o finório

Tony Garcia está de volta. O finório voltou. E, nesta volta, promete ser o Pedro Collor do Imoral Moro. Ou a Nicéia Pitta, do Celso Pitta. Desde os relatos da antiguidade é real que, bandidos, na hora da divisão do butim se estranham. E traem.

Pedro, inconformado com as trelas da sua Thereza ao irmão Fernando, denunciou as maracutaias do então presidente. Deu no que deu. Nicéia, traída por Celso Pitta, derrubou o

Tony Garcia em conversa com Joaquim de Carvalho, do Brasil 247

então emergente político paulista. Agora é Tony Garcia que joga mais lama na sujeira do Imoral da Lava Jato.

Candidato ao Senado pelo Paraná, na eleição em que Collor e a TV Globo derrotaram Lula, Tony Garcia não se elegeu. Mas desde então, 1989, vive à sombra do poder. Finório sem pudor, frequentou orgias e palacetes do poder. Sempre sobraram migalhas para ele. E que migalhas.

Réu em um processo no qual lesou milhares de pessoas em Consórcio que dirigia. Tony Garcia se tornou delator mais que premiado. Virou, em 2004, um agente infiltrado da quadrilha da Lava Jato (Moro, procuradores e TRF4). E tinha orgulho disso.

Foi quando, na Folha de S. Paulo, conheci pessoalmente a fera finória. Falastrão articulado, Tony Garcia sabia das escaramuças do poder desde o governo Collor de Mello, quando a corrupção foi institucionalizada no país.

Institucionalizada porque ela sempre existiu. Desde que os Tugas por cá aportaram e trocaram espelhos por ouro e pau brasil. Mas foi no início do governo Collor, logo após a Constituição de 88, que a corrupção foi normatizada e institucionalizada.

A Constituição de 88 implantou a necessidade de licitação de obras públicas. A governo Collor, antes mesmo da posse de Fernando, tratou de normatizar isso para efeitos de propinas. É histórica a reunião em Brasília de PC Farias com correligionários do PRN de todo o país com esse objetivo.

Tony Garcia, que sempre se achou mais astuto que a astúcia tem um defeito. Adora plateia. E tem língua solta. Contou, com detalhes como PC organizou o esquema para fraudar licitações, com concorrentes cruzados (entravam, organizados, nas licitações para que houvesse um ganhador).

Esse esquema culminou em escândalos país afora. Sempre entre os envolvidos políticos que tinham participado da célebre reunião com PC Farias. Tony Garcia foi além, sugeriu que a morte de PC Farias teria sido por sua gula. Ele queria 30% das licitações, não 20% como deve ser usual, e isso desagradou empresários da máfia corrupta.

Tony se orgulhava de que, como colaborador privilegiado, ter conseguido a prisão do desafeto Roberto Bertoldo, tesoureiro do PMDB no esquema do Mensalão. Mas corrupção e poder sempre envolve sexo. Tony Garcia, nunca se fez de rogado. Tinha relação direta com uma agenciadora de mulheres de programa em Curitiba.

E falava abertamente que usava essa relação para comprometer inimigos políticos. Não é de graça que sabe tudo sobre a tal festa da cueca de procuradores de República e desembargadores em Curitiba. Vaidoso, ia além. Colocava-se com um garanhão a consolar mulheres de lideranças políticas do PSDB, PP e PMDB paranaense.

Citava nomes das esposas desses líderes e orgias regadas a um pó branco em que aparecia como o “lúcido” entre doidos. A dar consolo às mulheres. Um garanhão, o homem. E exibia vídeos gravados sobre essas peripécias. Sobre sua relação pessoal com o chefão da Lava Jato, o Imoral Moro, era taxativo. Frequentava a casa do imoral, onde era um “comensal contumaz”.

Como trabalhava eu em um jornal, então sério, e não em um blog ou site pornográfico, o registro das aventuras orgásticas e as orgias do finório Tony Garcia em nada interessava. Agora, com a volta do finório em fogo cruzado com o Imoral Moro, fico a especular. O que queria dizer Tony Garcia quando dizia que era “comensal contumaz” no lar dos Moro?

 
 
 

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